segunda-feira, 30 de março de 2015

Da Luz para a luz

A Selecção Nacional deu ontem um enorme passo na caminhada rumo ao Euro 2016, ao vencer a Sérvia, no Estádio da Luz, por 2-1, perante 58 mil espectadores.
Com Fernando Santos castigado, foi Elídio Vale o responsável por orientar a equipa das quinas, apresentando Rui Patrício na baliza, Bosingwa no lado direito da defesa e Eliseu na esquerda, com Bruno Alves e Ricardo Carvalho a compor o eixo defensivo. Na linha média, Tiago e João Moutinho ocuparam as posições centrais, Nani e Coentrão as alas (Coentrão funcionou mais como um médio lateral), deixando Cristiano Ronaldo e Danny soltos na frente.
Do lado dos sérvios, orientados por Radovan Curcic, Stojkovic foi o guardião, Basta e Kolarov os laterais (direito e esquerdo, respectivamente) e Nastasic e Ivanovic os homens do centro da defesa. No meio-campo, Matic e Petrovic no meio, com Markovic e Tadic nas alas. Ljajic foi o homem de apoio ao ponta-de-lança sérvio, Mitrovic.
A esperada pressão inicial lusa fez-se sentir, com alguma liberdade concedida pela Sérvia, principalmente nos corredores laterais, tendo sido por aí que Portugal fez boa parte do seu jogo. Servidos maioritariamente por Moutinho e Tiago, Nani e Coentrão tentaram criar perigo inúmeras vezes durante o jogo, também ajudados pelas subidas no terreno de Eliseu e Bosingwa (o mesmo se verificou no sentido inverso, durante todo o desafio).
Aos 11 minutos, marcador inaugurado: Fábio Coentrão, após um canto batido à maneira curta, descobriu Ricardo Carvalho na pequena-área e o central do Mónaco, beneficiando de uma falha de marcação da defensiva sérvia, cabeceou para o golo. O azar bateu à porta do veterano internacional português, que cinco minutos após o tento, saiu lesionado, tendo entrado para o seu lugar José Fonte.
A reacção sérvia foi tímida, tendo a equipa revelado algumas dificuldades em partir para o ataque, quer pelo meio, quer pelas alas - as constantes trocas de flanco entre Markovic e Tadic pouco efeito produziram. Nemanja Matic (excelente jogo) carregava o piano, procurando os homens da frente e ocupando muito bem os espaços, quer no processo ofensivo, quer no defensivo. A Sérvia criou, aliás, algumas dificuldades a Portugal em conseguir construir jogo pelo espaço central, com a equipa a baixar bem e a fechar a zona interior. 
Entre os 15 e os 25 minutos, sensivelmente, a equipa de  Radovan Curcic ainda conseguiu assustar Portugal, como por exemplo num remate de Tadic já dentro da área, com a bola a passar perto do poste da baliza de Rui Patrício. Foi um período em que a Sérvia passou mais tempo no meio-campo contrário, obrigando Portugal a recuar as linhas, com Moutinho, Danny e Tiago (ele que subiu menos que Moutinho no terreno durante maior parte do desafio) a baixarem no terreno e a tentar impedir a última fase de construção sérvia.
À passagem da meia hora, voltou a cheirar a golo no Estádio da Luz, mas do outro lado, com Ronaldo a rematar de longe e a obrigar Stojkovic a aplicar-se. Pouco depois, o craque do Real Madrid, após jogada individual pela esquerda, entrou na área e tentou descobrir alguém mas a defensiva sérvia cortou o lance. Esta foi, aliás, uma constante no jogo: sem ponta-de-lança fixo, não havia referência na área, já que Danny e Cristiano jogaram soltos e, ora trocavam com os companheiros e caíam para as faixas, ora eram obrigados a vir atrás buscar jogo.
Na segunda parte, os minutos iniciais foram mornos, com o primeiro lance digno de registo a acontecer aos 53 minutos, quando uma chegada com atraso de Bruno Alves, deixou Mitrovic aparecer em zona privilegiada para cabecear por cima. A Sérvia pressionava, o seu jogo fluía melhor e mais rápido, com Matic a ser o cérebro da equipa: solicitado por todos os colegas para transportar jogo, todo este passava pelo médio do Chelsea, do lado dos sérvios. 
Aos 61 minutos, o ex-Benfica coroou a sua exibição com um golo monumental. Após um canto, Petrovic desviou de cabeça para a entrada sobre o lado direito da pequena-área, e Matic, com um remate acrobático, colocou o marcador em 1-1.
Porém, dois minutos depois, Portugal repôs a vantagem recém-desfeita. Sobre o lado direito do ataque, Ronaldo descobre Moutinho a entrar pelo meio e o médio do Mónaco, à entrada da área (também sobre o lado direito) fez um passe fabuloso para a entrada da pequena-área, que Fábio Coentrão aproveitou para recolocar a turma das quinas em vantagem.
O jogo ficou, assim, mais partido, com Portugal a comandar as operações até ao final do encontro e a conseguir estar mais perto do golo. João Moutinho foi, como o habitual, o homem que pautou os ritmos de jogo de Portugal, com Fábio Coentrão (jogo muito esforçado numa posição em que tem poucas rotinas) a sair esgotado aos 78 minutos para dar o lugar a Ricardo Quaresma.
Do lado dos sérvios, Markovic (jogo muito apagado do ex-Benfica) já tinha dado lugar minutos antes a Djuricic. Tosic ainda entrou para o lugar de Tadic, numa troca directa, mas a selecção dos Balcãs não conseguiu causar lances de perigo, com excepção feita a um potente remate de Petrovic, de fora da área, que Patrício segurou. William Carvalho ainda entrou para o lugar de Danny aos 86 minutos.
Portugal parecia estar melhor fisicamente e, pelos flancos, criou perigo para a defesa sérvia, com algumas solicitações para a área, porém sem consequência, devido à falta de referência.
O jogo terminou com a vitória de Portugal, que dá assim um passo de gigante rumo ao Europeu de França. A Sérvia vê assim praticamente afastadas as poucas esperanças que ainda tinha de marcar presença em terras gaulesas em 2016, estando neste momento com 2 pontos negativos, devido à sanção aplicada pela UEFA pelos desacatos no jogo com a Albânia.



Destaques

Positivo

João Moutinho: define ritmos de jogo, ataca, defende, assiste, joga, faz jogar: o médio do Mónaco tem-se vindo a revelar, desde há alguns anos, uma peça fulcral no meio-campo da Selecção Nacional. O seu passe para o golo da vitória foi um dos momentos mais brilhantes da partida.

Fábio Coentrão: Um golo, uma assistência e grande espírito combativo. Irregular no Real Madrid, devido à forte concorrência de Marcelo, demonstrou que está pronto para ajudar Portugal. Nesta posição, teve um papel redobrado, tanto por ter tido de ocupar zonas centrais, como por ter tido a missão de ajudar no processo defensivo e ofensivo pelas faixas. Saiu esgotado e sob forte aplauso.

Nemanja Matic: Com muita cultura táctica, capacidade física e de passe, nota artística, foi ele que levou a equipa às costas. Entre tanta timidez e lentidão de processos da equipa sérvia, que nunca chegou a colocar em causa a justiça da vitória lusa, foi o único a sobressair no colectivo dos Balcãs. O momento alto do jogo foi seu: um golaço de fazer levantar qualquer estádio! Matic é isto mesmo: um jogador de classe mundial.


Negativo:

Lesão de Ricardo Carvalho: Após o recente regresso à Selecção pela mão de Fernando Santos, o melhor defesa-central português da última década teve uma participação curta e agridoce no jogo de ontem. Marcou e pouco depois saiu lesionado. Portugal precisa dele, já que, aos 36 anos, ainda demonstra uma regularidade exibicional notável.

Sérvia: Na actualidade, a equipa de Radovan Curcic é, provavelmente, o maior exemplo de que nem sempre os melhores jogadores fazem as melhores equipas. No caso dos sérvios, não se pode falar dos 'melhores' (excepção feita a Matic e Ivanovic - dos melhores do Mundo nas respectivas posições) mas de bons jogadores, já que grande parte dos seleccionados (e seleccionáveis) jogam em equipas europeias de renome. 

segunda-feira, 23 de março de 2015

Clássico azulgrana

Espectáculo, emoção, incerteza, golos. O 'Clássico dos Clássicos' fez jus ao nome e não faltaram ingredientes para apimentar o jogo grande de ontem, em Camp Nou, que o Barcelona venceu o Real Madrid por 2-1, perante 98.760 espectadores.
Sem grandes surpresas, a equipa de Luis Enrique alinhou com Bravo na baliza, Dani Alves e Jordi Alba nas laterais direita e esquerda da defesa, respectivamente, e a dupla Piqué-Mathieu ao centro. No meio campo, Mascherano militou à frente dos centrais, tendo à sua frente Iniesta e Rakitic. No ataque à baliza merengue esteve o trio MSN - Messi, Suárez e Neymar.
Do lado dos blancos, Carlos Ancelotti escalou um onze que teve Casillas na baliza, Pepe e Sérgio Ramos no centro da defesa, ladeados por Carvajal à direita e Marcelo à esquerda. Na linha média jogou o trio Kross, Modric e Isco, tendo o ataque sido composto pelo tridente BBC - Bale, Benzema e Cristiano.
O Barcelona entrou melhor no jogo, pressionando alto no meio-campo contrário, porém sem criar lances de real perigo, sendo que o primeiro pertenceu ao Real Madrid, num remate de Cristiano Ronaldo à trave, na pequena área, após cruzamento de Benzema (grande jogo do internacional francês). 
A toada ofensiva do Barcelona continuou e, aos 19 minutos, numa cobrança de um livre no lado esquerdo do ataque blaugrana, Messi descobriu Mathieu à entrada da pequena-área, que de cabeça inaugurou o marcador. Ao internacional francês foi concedido demasiado espaço para se movimentar e efectuar o cabeceamento, não tendo a defesa do Real ficado isenta de culpas. 
Até à meia-hora de jogo, o sentido continuou igual, tendo inclusivamente Neymar tido oportunidade de aumentar a vantagem do Barça, quando, após passe de Suárez e frente a Casillas, entregou a bola ao guarda-redes espanhol. Na sequência do contra-ataque, o Real Madrid empatou o jogo: Kross, Modric, Cristiano Ronaldo e Bale conduziram o lance, até Benzema isolar o melhor jogador do Mundo com um toque de calcanhar à entrada da área. No frente-a-frente com Claudio Bravo, CR7 não deu hipótese.
A partir daí, o jogo mudou: o Real passou a controlar as operações, com Modric a assumir a batuta da orquestra merengue, Marcelo a subir no terreno como até então não o tinha feito e Ronaldo e Benzema a baixarem bem para combinar com os colegas. 
Os lances de perigo surgiram e, a 5 minutos do intervalo, o Real viu um golo ser (bem) anulado, por fora de jogo de Ronaldo, que, de cabeça, assistiu Bale que empurrou para dentro da baliza de Bravo.
O internacional chileno esteve em destaque ainda antes do intervalo, ao defender para canto um remate portentoso de Cristiano, de fora da área.
Na segunda parte, os treinadores não alteraram as suas equipas e o sentido de jogo também não mudou. O Real continuou a mandar na partida, tendo ficado perto da vantagem nos minutos iniciais por intermédio de Benzema, após receber de CR7, que combinou com Marcelo, numa das inúmeras subidas do brasileiro no terreno. Claudio Bravo voltou, neste lance, a salvar o Barça, que, contra a corrente do jogo, se colocou em vantagem. Aos 56 minutos, passe longo de Dani Alves ainda do meio-campo culé, e Luís Suárez, pressionado por Pepe e por Ramos, com uma grande recepção e remate colocado, fez balançar as redes da baliza de Iker Casillas.
Daí em diante, assistiu-se a nova mudança: a quebra física de Modric fez o Real perder o controlo e o fulgor que vinha a ter até então na zona intermediária. Consequentemente, o Barça passou a ganhar também mais duelos individuais, o que permitiu aos blaugrana arriscar mais e criar mais oportunidades. 
Neste capítulo, Messi e Neymar destacaram-se, baixando imensas vezes (bem) no terreno para combinar com os colegas (Jordi Alba passou igualmente a aparecer mais no ataque). Aos 73 minutos, Leo rematou a centímetros do poste direito da baliza de Casillas, para no minuto seguinte isolar Neymar, que falhou na cara do guarda-redes espanhol.
Carlo Ancelotti ainda tentou reforçar o ataque, colocando Jesé Rodriguez no lugar de Isco, deixando Modric em campo até aos 88 minutos, quando o croata saiu para dar o lugar a Lucas Silva. Luis Enrique também apostou na troca directa neste sector, trocando Iniesta (falta a intensidade de outros tempos) por Xavi, sendo que poucos minutos antes tinha colocado Busquets (regressou de lesão) para fazer descansar Rakitic.
Aos 78 minutos, Claudio Bravo voltou a estar em destaque, ao negar o golo a Benzema (o mais inconformado dos merengues), com San Iker, do outro lado, a fazer o mesmo a Jordi Alba, a 5 minutos do fim. A toada atacante do Barça terminou com um remate de Messi, após nova grande jogada do ataque do Barcelona , com Casillas a negar o tento a La Pulga.
O clássico terminou com o resultado clássico em Camp Nou: nos últimos sete confrontos entre culés e merengues neste estádio, o Barça venceu cinco, empatou um e perdeu outro. O Barcelona fica assim com mais quatro pontos que o Real Madrid, quando faltam dez jornadas para terminar a Liga Espanhola.


Destaques

Positivo

Cláudio Bravo: Excelente exibição do guardião chileno que, nas várias ocasiões em que foi chamado a intervir, fê-lo com mestria. Sempre em momentos de maior pressão do Real Madrid e em lances de dificuldade elevada, afirmou-se igualmente a comandar e a dar segurança à defesa blaugrana, que esteve em bom plano.

Benzema: O menos mediático mas (talvez) mais importante jogador do ataque blanco. Exímio nas combinações e a jogar entre linhas, teve participação activa em todas as jogadas de perigo do Real, tendo sido ele a dar um 'abanão' em inúmeras ocasiões de pouca intensidade dos merengues, vindo atrás no terreno e transportando a bola para lançar ataques. O toque de calcanhar com que serviu Cristiano Ronaldo para o golo do empate foi o momento mais brilhante de todo o jogo.

Luís Enrique: Bem nas substituições, sabendo refrescar o meio-campo numa fase crucial do jogo. Primeiro, ao tirar um esgotado Rakitic, depois Iniesta, sendo o regresso de Busquets a melhor notícia que o técnico catalão podia ter para o que resta da época. Depois de uma fase titubeante, o Barça tem vindo a apresentar uma performance impressionante: 19 vitórias nos últimos 20 jogos oficiais.


Negativo

Carlo Ancelotti: Incompreensível como só perto do minuto 90 tirou Modric de campo. Até à hora de jogo, o croata carregou o piano dos blancos e, a partir daí, apenas marcou presença em campo. Já a perder, demorou a mexer na equipa, ao colocar Jesé muito tarde, tirando Isco (jogo muito tímido do internacional espanhol). Na sua segunda temporada na capital espanhola, em jogos para o campeonato frente a Barcelona e Atlético, perdeu seis em oito.

Meio-campo do Real Madrid: Se o recente regresso de Modric foi uma excelente notícia para o treinador italiano (a qualidade de jogo do Real tem vindo a subir consideravelmente após a crise de resultados), o banco merengue não apresenta as melhores soluções - Lucas Silva ainda é muito 'verde', Illarramendi não tem qualidade para assumir papel de referência numa equipa desta dimensão e Kheidira continua lesionado. Dá a ideia de faltar um pêndulo como Xabi Alonso, parecendo que um trio composto por Modric, Kross e Isco constitui um meio-campo bastante ofensivo, deixando a equipa mais vulnerável nestes jogos de maior grau de dificuldade.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Champions Latina

Terminou. Está fechado o capítulo dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões 2014-2015, tendo-se encontrado, esta semana, as quatro equipas que faltavam juntar-se a Real Madrid, F.C. Porto, Bayern Munique e Paris Saint-Germain.
Pela segunda vez em três épocas, Inglaterra não terá nenhum representante no lote das oito melhores equipas da Europa, já que Arsenal, Manchester City e Chelsea foram eliminados, parecendo a prova milionária, a partir de agora, uma liga latina. Neste contexto, o poderosíssimo Bayern Munique será o único 'intruso' nos quartos.

Em frente, pois claro

O Barcelona apurou-se, pelo oitavo ano consecutivo, para os quartos-de-final da Liga dos Campeões. Os Blaugrana confirmaram o favoritismo e aumentaram a vantagem de 2-1 conseguida na primeira mão no Ethiad, frente ao Manchester City. 
Comandados pelo génio de Lionel Messi (soberba exibição do astro argentino), os catalães venceram a equipa de Manuel Pellegrini por uma bola a zero com um golo de Rakitic (assistência de La Pulga). Só um Joe Hart inspirado impediu os citizens de saírem de Camp Nou vergados a uma goleada histórica. O guarda-redes inglês rubricou um elevado número de defesas, acabando por ser a grande figura do encontro.
Do outro lado, Ter Stegen defendeu um penalty de Aguero no quarto de hora final, acabando com a esperança do City em seguir em frente.

O estranho caso gunner

Depois de ter caído com estrondo no Emirates, na 1ª mão dos oitavos, frente ao Mónaco, o Arsenal quase gelou o Estádio Louis II, tendo ficado a um golo de rubricar a passagem à fase seguinte.
Numa partida totalmente dominada pela equipa de Arséne Wenger, Giroud e Ramsey marcaram os golos dos ingleses, que desperdiçaram várias ocasiões para golear o Mónaco. 
Os comandados de Leonardo Jardim seguem assim, onze anos depois, para os quartos-de-final da Champions.
Esta foi a terceira vez consecutiva que o Arsenal perdeu o primeiro jogo dos oitavos em casa (3-1 contra o Bayern em 2013, 2-0 novamente com os bávaros na temporada passada e 3-1 frente ao Mónaco) e ficou muito perto de carimbar a passagem aos quartos-de-final.

Vechia Signora de volta

Com 14 pontos de vantagem sobre a Roma e com o scudetto praticamente assegurado, a Juventus pode dedicar-se quase em exclusivo à prova milionária e, na passada quarta-feira, cilindrou o Borussia Dortmund no Signal Iduna Park.
Depois da curta vantagem conseguida na primeira mão (2-1 em Turim), esperavam-se dificuldades para a equipa de Massimiliano Allegri. Porém, logo na fase inicial da partida, Carlitos Tévez mostrou ao que veio e, com um grande golo, acabou praticamente com as esperanças dos alemães. 
Esperanças essas que terminaram de vez quando, a vinte minutos do fim, Morata apontou o segundo tento da Juve, a passe de Tévez. 
O internacional argentino voltou, pouco depois, a fuzilar as redes da baliza de Weidenfeller. Num jogo em que a Juventus anulou totalmente a equipa de Jurgen Klopp, destaque para a lesão de Paul Pogba, ainda na primeira parte.
Superioridade incontestável e passagem indiscutível dos 'quase' tetra-campeões transalpinos.

O regresso de Oblak

Na eliminatória mais equilibrada dos oitavos-de-final da Champions, o Altético de Madrid superiorizou-se ao Bayer Leverkusen, no desempate por grandes penalidades.
Depois da derrota por 1-0 na primeira mão, na Alemanha, a equipa de Diego Simeone correu atrás do prejuízo e empatou a eliminatória com um golo de Mario Suárez, aos 27 minutos. Quatro minutos antes, Moyà, guarda-redes dos colchoneros, lesionou-se e foi substituído por Jan Oblak. 
Até ao final dos 90 minutos, tudo igual e o jogo foi para prolongamento. Nos 30 minutos suplementares, após várias tentativas, nem espanhóis nem alemães foram capazes de sentenciar a eliminatória e seguiu-se o desempate por grandes penalidades.
Aí, Oblak revelou-se decisivo, defendendo uma grande penalidade, tendo os alemães falhado mais duas, tantas quanto a equipa de Simeone. 
O Atleti está assim, pelo segundo ano consecutivo, entre a elite das oito melhores equipas da Champions.


Positivo


Messi: O 'príncipe' da cidade condal está num momento de forma exuberante. Foi um autêntico quebra-cabeças para a equipa do City, com inúmeras jogadas geniais, tendo assistido Rakitic para o golo, após um passe magistral.

Joe Hart: Depois de na primeira mão ter impedido Messi de praticamente selar a eliminatória (defendeu um penalty nos descontos), rubricou inúmeras defesas de alto nível, salvando o City da humilhação em Camp Nou.

Tévez: Dois golos, uma assistência e uma exibição de grande nível confirmaram (ainda mais) o estatuto de estrela do argentino na Juve. Melhor marcador do Calcio e artilheiro da equipa na Champions, dá a sensação de estar no 'ponto de rebuçado', aos 31 anos. 

Leonardo Jardim: Apesar da derrota frente ao Arsenal, o Mónaco apurou-se para os quartos, depois da estrondosa vitória da 1ª mão, no Emirates.
'Traído' pelo projecto monegasco no início da época (saídas de Falcão e James em fase adiantada da pré-época), tem sabido fazer do Mónaco uma equipa competitiva, jogando com as armas que tem com grande espírito combativo. Enorme reacção às adversidades com uma postura defensiva exemplar.


Negativo


Manuel Pellegrini: O treinador chileno vai dando cada vez mais provas de não ter mãos para guiar projectos galácticos. Com um enorme conjunto de jogadores de classe mundial, o City continua muito tímido na Champions. Muitas falhas na estratégia adoptada para Camp Nou, que tiveram o seu auge a poucos minutos do fim, quando colocou Frank Lampard em campo para o lugar de Milner. Incompreensível como Dzeko não foi a jogo.

Borussia Dortmund: A superioridade total da Juventus (que mesmo a partir de agora é um outsider) só vem confirmar o que tem vindo a ser evidente: depois da ascensão meteórica dos últimos anos, o projecto de Klopp começa a cair a pique. 
As constantes ondas de lesões e a 'concorrência desleal' do Bayern não ajudam. Apesar da recente recuperação na Bundesliga, muito dificilmente se conseguirá apurar para a próxima edição da prova milionária.


quinta-feira, 12 de março de 2015

A vingança de David

Seis anos depois, José Mourinho voltou a cair nos oitavos da Liga dos Campeões. O Chelsea foi eliminado pelo PSG em Stamford Bridge, mercê dos golos fora de casa obtidos pelos parisienses. O 2-2 de quarta-feira passada em Londres foi suficiente para superar o empate a uma bola registado três semanas antes em Paris.
O treinador do Chelsea apresentou um onze sem surpresas, com Courtois na baliza, Ivanovic no lado direito da defesa, Azpilicueta na esquerda e com a dupla Terry-Cahill ao centro. No meio campo, Matic militou na posição mais recuada, tendo Ramires e Fàbregas à sua frente. No ataque, Diego Costa foi a grande referência, ladeado por Óscar à direita e Hazard à esquerda.
Já do lado do PSG, Lauren Blanc colocou, como habitualmente, Sirigu na baliza, David Luiz e Thiago Silva no centro da defesa, Maxwell à esquerda e, como tem vindo a ser habitual, Marquinhos à direita. No meio-campo é que o treinador francês fez uma aposta que se veio a revelar acertada: Pastore ocupou o vértice mais adiantado do losango apresentado na zona intermediária da equipa parisiense, ele que é um jogador com muita cultura de posse de bola e técnica apurada, tendo igualmente grande capacidade de transportar e segurar o esférico. No vértice mais recuado jogou Thiago Motta e, no meio, Verratti e Matuidi ocuparam as restantes posições. No ataque, Ibrahimovic e Cavani formaram dupla.
O jogo começou intenso, com o PSG a criar a primeira oportunidade de golo logo aos dois minutos, com Cavani a surgir perto da baliza de Courtois, tendo valido um corte providencial de John Terry, que evitou o golo dos parisienses. A toada atacante da equipa de Laurent Blanc durou até aos 20 minutos, sensivelmente, tendo durante a maior parte deste período o PSG estado no meio-campo do Chelsea.
O empate a zero seria suficiente para os blues passarem a eliminatória e, na primeira parte, a equipa de Mourinho pouco arriscou, sendo o PSG quem teve a iniciativa da partida na maioria do tempo.
A grande batalha a meio-campo que caracterizou a maior parte do jogo teve o seu auge aos 31 minutos, numa disputa de bola entre Ibrahimovic e Óscar, na qual os dois jogadores entraram de ‘carrinho’, tendo o internacional sueco evitado acertar com a sola do pé no brasileiro (e não acertou), encolhendo a perna. O árbitro expulsou Ibrahimovic, numa decisão errada que fez prever uma alteração do rumo da partida.
Pelo contrário, o Paris Saint-Germain entrou mais pressionante no segundo tempo e esteve perto de marcar aos 56 minutos quando Cavani apareceu novamente frente a Courtois, fintou o guarda-redes belga e rematou ao poste, já com pouco ângulo.
Assistia-se a um grande duelo táctico em Stamford Bridge, com destaque para os incansáveis Matuidi, do lado dos parisienses, e Ramires, do lado dos blues, sempre fortes nas transições e em outros momentos de jogo. Fàbregas teve imensas dificuldades para pegar na ‘batuta’ do jogo do Chelsea, ora pressionado, ora pouco assertivo no capítulo do passe e, igualmente, pouco apoiado por Matic (jogo esforçado do sérvio, porém aquém do costume, já que veio de uma lesão).
Já Marco Verratti esteve bem melhor em vários aspectos, tal como Javier Pastore, que ofereceu qualidade de posse de bola ao PSG, combinando também muito bem com Cavani, que obrigatoriamente baixou no terreno inúmeras vezes.
O Chelsea teve (como habitualmente) em Hazard a sua unidade mais desequilibradora, ele que deu intensidade ao ataque blue, travando alguns duelos individuais, principalmente com Marquinhos. Óscar esteve apagado e saiu no início da segunda parte, dando lugar a Willian.
O Paris Saint-Germain continuava a mandar no jogo e só aos 80 minutos é que houve registo do primeiro lance de real perigo do lado do Chelsea, quando Ramires apareceu do lado direito do ataque, rematando para defesa de Sirigu, que deu canto. Na sequência do pontapé de canto, o Chelsea chegou à vantagem, por intermédio de Cahill. O internacional inglês aproveitou a sobra de um remate falhado por Diego Costa e colocou os blues ainda mais perto dos quartos.
Laurent Blanc viu-se obrigado a arriscar e tirou o pêndulo do meio-campo parisiense (Verratti) para lançar Lavezzi. O argentino, mais rápido e vertical, foi aposta para oferecer velocidade ao ataque e para tentar desequilibrar a organizada defesa do Chelsea. Rabiot entrou para o lugar de Matuidi, simultaneamente.
Cinco minutos após o golo do Chelsea, David Luiz, com uma cabeçada portentosa, empatou o jogo e a eliminatória, após um canto apontado por…Lavezzi!
José Mourinho terá, eventualmente, pensado que a sua equipa poderia ter arriscado mais durante a partida e, até final do tempo regulamentar, o Chelsea pressionou mais um pouco e Ramires e Willian tentaram o golo, com remates perigosos.
O jogo foi para prolongamento, que começou praticamente com um penalty a favor do Chelsea, resultante de uma ‘infantilidade’ de Thiago Silva. O internacional brasileiro saltou de braço no ar para disputar uma bola de cabeça com Diego Costa dentro da área parisiense e não evitou o contacto com a bola.
Na transformação do castigo máximo, Eden Hazard não falhou e recolocou os blues em vantagem na eliminatória.
Com 15 minutos para jogar, o PSG continuou, como era espectável, a pressionar, tentando ‘furar’ a muralha defensiva londrina. Destaque para um livre de David Luiz a cerca de 30 metros da baliza de Courtois, ao qual o belga correspondeu com uma enorme defesa.
Outra enorme defesa aconteceu aquando um cabeceamento de Thiago Silva, após um pontapé de canto. No consequente canto, a seis minutos do fim, o central brasileiro empatou o jogo com um potente golpe de cabeça e recolocou o PSG na frente da eliminatória, num lance em que John Terry e Cahill falharam na marcação e deixaram o capitão parisiense sozinho para marcar.
Até final, Laurent Blanc ainda ‘queimou’ tempo ao fazer entrar Van der Wiel para o lugar de Pastore, tendo o Chelsea sido incapaz de criar perigo.
O PSG apurou-se assim, pelo terceiro ano consecutivo, para os quartos da Champions, enquanto o Chelsea de José Mourinho fica pelo caminho, tendo ainda “uma Premier League para ganhar”.

Destaques

Positivo
Atitude do PSG. Jogando cerca de hora e meia em inferioridade numérica, a equipa de Laurent Blanc foi sempre a mais assertiva em campo, correndo atrás do prejuízo, e mesmo com o azar do jogo, nunca desistiu. O treinador parisiense acertou em cheio nas substituições.
David Luiz. Em semana de ‘bate-boca’ com Mourinho, o internacional brasileiro foi decisivo no desfecho da eliminatória, não só pelo golo como também pelo sangue-frio que foi mantendo nos constantes duelos quentes com Diego Costa.
Thiago Silva. De vilão a herói. Cometeu o penalty que podia ter comprometido a eliminatória e, minutos depois, não perdoou num cabeceamento indefensável para Courtois. Atitude irrepreensível e liderança firme.
Hazard. Não foi tão exuberante como noutras ocasiões mas foi dos únicos (se não mesmo o único) a dar alguma dinâmica ao ataque dos blues, apesar de menos oportunidades que o esperado.

Negativo
Conservadorismo blue. Em Paris, só mesmo um Courtois inspirado impediu o Chelsea de sair goleado do Parque dos Príncipes. Esperava-se outra reacção à expulsão de Ibrahimovic mas a equipa de José Mourinho passou grande parte do jogo no seu meio-campo, apesar de ter tido a sorte do jogo (golos contra a corrente).
Árbitro. Vários erros marcaram a actuação de Bjorn Kuipers. A expulsão de Ibrahimovic é exagerada, uma vez que o avançado sueco evitou o mais que pôde o contacto com o adversário. Erro grave também ao não assinalar grande penalidade após uma falta sobre Diego Costa, na primeira parte da etapa complementar. Alguns lances de potencial perigo (porém inconsequentes) surgiram com jogadores a partir de fora-de-jogo. Incompreensível como Diego Costa terminou o jogo em campo.


Fogo de dragão

Fruto de uma exibição portentosa, o F.C. Porto garantiu na passada terça-feira, um lugar na elite das oito melhores equipas da Champions. Os dragões cilindraram o Basileia de Paulo Sousa por uns expressivos 4-0, depois do empate a uma bola da primeira mão no jogo em terras helvéticas.
Com Jackson Martínez lesionado, o avançado internacional camaronês Aboubakar foi a (esperada) novidade no onze portista, treinado por Julen Lopetegui. O jogo começou com o F.C. Porto a ter mais bola, mantendo-se durante os primeiros minutos no meio-campo suíço, porém sem criar oportunidades de golo.
Até que aos 14 minutos, uma execução primorosa de Brahimi num livre directo à entrada da área, colocou os dragões na frente do marcador. Poucos minutos depois, Casemiro tentou de longe surpreender o guarda-redes do Basileia mas a bola saiu por cima. Aos 18 minutos, um dos momentos marcantes da partida: após choque entre o guarda-redes portista Fabiano e o seu colega Danilo, o lateral brasileiro ficou inconsciente e teve de ser substituído por Martins Indi.
Até final do primeiro tempo, domínio absoluto portista, destacando-se ainda dois remates perigosos: um de Aboubakar, em que a bola saiu a centímetros do poste esquerdo da baliza de Tomas Vaclik e, do outro lado, foi Gashi a tentar a sua sorte num remate ‘enrolado’, em que o ex-benfiquista Derlis González chegou atrasado para a emenda, falhando assim o golo do empate para os suíços.
O F.C. Porto mandou no desafio do primeiro ao último minuto da primeira parte, exercendo um pressing muito alto em todas as zonas do terreno, tendo sido competente em todos os momentos de jogo. Destaque para o argelino Brahimi, sempre muito activo no corredor esquerdo, procurando igualmente espaços interiores para combinar com Aboubakar e com Herrera, que esteve irrepreensível na ocupação de espaços, aparecendo muitas vezes na zona mais adiantada do terreno. Casemiro também merece realce, ele que efectuou o melhor jogo desde que chegou ao Dragão, cortando linhas de passe, recuperando inúmeras vezes a bola e tentando a sorte em direcção à baliza.
Aos 56 minutos, o médio brasileiro teve outra oportunidade para visar a baliza do Basileia através de um livre a cerca de 25 metros de distância e não falhou. Execução exímia de Casemiro, deixando o guarda-redes dos helvéticos sem qualquer chance de impedir o golo do F.C. Porto. Nove minutos antes foi Herrera, também de fora da área, a fazer balançar as redes adversárias num remate colocado, após jogada de Brahimi, que partiu da esquerda para o meio, entregando a bola ao internacional mexicano.
O Basileia ainda tentou reduzir pouco depois do terceiro golo portista, por intermédio de Zuffi, que rematou à entrada da área após lance pela esquerda do ataque suíço, que Fabiano defendeu.
E, como se costuma dizer, quem não marca sofre, Aboubakar assinou o quarto tento dos dragões através de um remate colocado de fora da área. Até final os portistas geriram o jogo a seu belo prazer, através da sua imagem de marca, que teve neste jogo a sua maior expressão esta temporada: muita posse de bola, pressão alta e ataques rápidos.
Alex Sandro sempre muito activo nas subidas no terreno (como é seu apanágio), Herrera e Evandro foram incansáveis nas transições defesa-ataque e ataque-defesa, Casemiro imperial (melhor jogo do brasileiro de dragão ao peito) e Aboubakar com nota muito positiva nesta sua difícil missão - substituir Jackson Martínez.
A equipa de Paulo Sousa não demonstrou argumentos perante o F.C. do Porto, que rubricou a melhor exibição europeia pós-Villas-Boas, assegurando assim um lugar nos quartos-de-final da Liga dos Campeões.

Destaques

Positivo

Brahimi. Apesar da grande dinâmica demonstrada pela equipa azul-e-branca, o argelino merece uma nota especial. Inaugurou o marcador com uma execução sublime num livre directo, foi o maior desequilibrador no ataque portista e, igualmente importante, deu a sensação de estar a regressar à boa forma.

Negativo

Agressividade do Basileia. Durante a maior parte do desafio, os jogadores do Basileia usaram e abusaram de uma agressividade inadmissível nesta fase da competição, quebrando o ritmo do jogo e demonstrando uma enorme incapacidade para travar o jogo dos dragões. Samuel foi expulso perto do final da partida, por acomulação de amarelos.