Espectáculo, emoção, incerteza, golos. O 'Clássico dos Clássicos' fez jus ao nome e não faltaram ingredientes para apimentar o jogo grande de ontem, em Camp Nou, que o Barcelona venceu o Real Madrid por 2-1, perante 98.760 espectadores.
Sem grandes surpresas, a equipa de Luis Enrique alinhou com Bravo na baliza, Dani Alves e Jordi Alba nas laterais direita e esquerda da defesa, respectivamente, e a dupla Piqué-Mathieu ao centro. No meio campo, Mascherano militou à frente dos centrais, tendo à sua frente Iniesta e Rakitic. No ataque à baliza merengue esteve o trio MSN - Messi, Suárez e Neymar.
Do lado dos blancos, Carlos Ancelotti escalou um onze que teve Casillas na baliza, Pepe e Sérgio Ramos no centro da defesa, ladeados por Carvajal à direita e Marcelo à esquerda. Na linha média jogou o trio Kross, Modric e Isco, tendo o ataque sido composto pelo tridente BBC - Bale, Benzema e Cristiano.
O Barcelona entrou melhor no jogo, pressionando alto no meio-campo contrário, porém sem criar lances de real perigo, sendo que o primeiro pertenceu ao Real Madrid, num remate de Cristiano Ronaldo à trave, na pequena área, após cruzamento de Benzema (grande jogo do internacional francês).
A toada ofensiva do Barcelona continuou e, aos 19 minutos, numa cobrança de um livre no lado esquerdo do ataque blaugrana, Messi descobriu Mathieu à entrada da pequena-área, que de cabeça inaugurou o marcador. Ao internacional francês foi concedido demasiado espaço para se movimentar e efectuar o cabeceamento, não tendo a defesa do Real ficado isenta de culpas.
Até à meia-hora de jogo, o sentido continuou igual, tendo inclusivamente Neymar tido oportunidade de aumentar a vantagem do Barça, quando, após passe de Suárez e frente a Casillas, entregou a bola ao guarda-redes espanhol. Na sequência do contra-ataque, o Real Madrid empatou o jogo: Kross, Modric, Cristiano Ronaldo e Bale conduziram o lance, até Benzema isolar o melhor jogador do Mundo com um toque de calcanhar à entrada da área. No frente-a-frente com Claudio Bravo, CR7 não deu hipótese.
A partir daí, o jogo mudou: o Real passou a controlar as operações, com Modric a assumir a batuta da orquestra merengue, Marcelo a subir no terreno como até então não o tinha feito e Ronaldo e Benzema a baixarem bem para combinar com os colegas.
Os lances de perigo surgiram e, a 5 minutos do intervalo, o Real viu um golo ser (bem) anulado, por fora de jogo de Ronaldo, que, de cabeça, assistiu Bale que empurrou para dentro da baliza de Bravo.
O internacional chileno esteve em destaque ainda antes do intervalo, ao defender para canto um remate portentoso de Cristiano, de fora da área.
Na segunda parte, os treinadores não alteraram as suas equipas e o sentido de jogo também não mudou. O Real continuou a mandar na partida, tendo ficado perto da vantagem nos minutos iniciais por intermédio de Benzema, após receber de CR7, que combinou com Marcelo, numa das inúmeras subidas do brasileiro no terreno. Claudio Bravo voltou, neste lance, a salvar o Barça, que, contra a corrente do jogo, se colocou em vantagem. Aos 56 minutos, passe longo de Dani Alves ainda do meio-campo culé, e Luís Suárez, pressionado por Pepe e por Ramos, com uma grande recepção e remate colocado, fez balançar as redes da baliza de Iker Casillas.
Daí em diante, assistiu-se a nova mudança: a quebra física de Modric fez o Real perder o controlo e o fulgor que vinha a ter até então na zona intermediária. Consequentemente, o Barça passou a ganhar também mais duelos individuais, o que permitiu aos blaugrana arriscar mais e criar mais oportunidades.
Neste capítulo, Messi e Neymar destacaram-se, baixando imensas vezes (bem) no terreno para combinar com os colegas (Jordi Alba passou igualmente a aparecer mais no ataque). Aos 73 minutos, Leo rematou a centímetros do poste direito da baliza de Casillas, para no minuto seguinte isolar Neymar, que falhou na cara do guarda-redes espanhol.
Carlo Ancelotti ainda tentou reforçar o ataque, colocando Jesé Rodriguez no lugar de Isco, deixando Modric em campo até aos 88 minutos, quando o croata saiu para dar o lugar a Lucas Silva. Luis Enrique também apostou na troca directa neste sector, trocando Iniesta (falta a intensidade de outros tempos) por Xavi, sendo que poucos minutos antes tinha colocado Busquets (regressou de lesão) para fazer descansar Rakitic.
Aos 78 minutos, Claudio Bravo voltou a estar em destaque, ao negar o golo a Benzema (o mais inconformado dos merengues), com San Iker, do outro lado, a fazer o mesmo a Jordi Alba, a 5 minutos do fim. A toada atacante do Barça terminou com um remate de Messi, após nova grande jogada do ataque do Barcelona , com Casillas a negar o tento a La Pulga.
O clássico terminou com o resultado clássico em Camp Nou: nos últimos sete confrontos entre culés e merengues neste estádio, o Barça venceu cinco, empatou um e perdeu outro. O Barcelona fica assim com mais quatro pontos que o Real Madrid, quando faltam dez jornadas para terminar a Liga Espanhola.
Destaques
Positivo
Cláudio Bravo: Excelente exibição do guardião chileno que, nas várias ocasiões em que foi chamado a intervir, fê-lo com mestria. Sempre em momentos de maior pressão do Real Madrid e em lances de dificuldade elevada, afirmou-se igualmente a comandar e a dar segurança à defesa blaugrana, que esteve em bom plano.
Benzema: O menos mediático mas (talvez) mais importante jogador do ataque blanco. Exímio nas combinações e a jogar entre linhas, teve participação activa em todas as jogadas de perigo do Real, tendo sido ele a dar um 'abanão' em inúmeras ocasiões de pouca intensidade dos merengues, vindo atrás no terreno e transportando a bola para lançar ataques. O toque de calcanhar com que serviu Cristiano Ronaldo para o golo do empate foi o momento mais brilhante de todo o jogo.
Luís Enrique: Bem nas substituições, sabendo refrescar o meio-campo numa fase crucial do jogo. Primeiro, ao tirar um esgotado Rakitic, depois Iniesta, sendo o regresso de Busquets a melhor notícia que o técnico catalão podia ter para o que resta da época. Depois de uma fase titubeante, o Barça tem vindo a apresentar uma performance impressionante: 19 vitórias nos últimos 20 jogos oficiais.
Negativo
Carlo Ancelotti: Incompreensível como só perto do minuto 90 tirou Modric de campo. Até à hora de jogo, o croata carregou o piano dos blancos e, a partir daí, apenas marcou presença em campo. Já a perder, demorou a mexer na equipa, ao colocar Jesé muito tarde, tirando Isco (jogo muito tímido do internacional espanhol). Na sua segunda temporada na capital espanhola, em jogos para o campeonato frente a Barcelona e Atlético, perdeu seis em oito.
Meio-campo do Real Madrid: Se o recente regresso de Modric foi uma excelente notícia para o treinador italiano (a qualidade de jogo do Real tem vindo a subir consideravelmente após a crise de resultados), o banco merengue não apresenta as melhores soluções - Lucas Silva ainda é muito 'verde', Illarramendi não tem qualidade para assumir papel de referência numa equipa desta dimensão e Kheidira continua lesionado. Dá a ideia de faltar um pêndulo como Xabi Alonso, parecendo que um trio composto por Modric, Kross e Isco constitui um meio-campo bastante ofensivo, deixando a equipa mais vulnerável nestes jogos de maior grau de dificuldade.
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