segunda-feira, 30 de março de 2015

Da Luz para a luz

A Selecção Nacional deu ontem um enorme passo na caminhada rumo ao Euro 2016, ao vencer a Sérvia, no Estádio da Luz, por 2-1, perante 58 mil espectadores.
Com Fernando Santos castigado, foi Elídio Vale o responsável por orientar a equipa das quinas, apresentando Rui Patrício na baliza, Bosingwa no lado direito da defesa e Eliseu na esquerda, com Bruno Alves e Ricardo Carvalho a compor o eixo defensivo. Na linha média, Tiago e João Moutinho ocuparam as posições centrais, Nani e Coentrão as alas (Coentrão funcionou mais como um médio lateral), deixando Cristiano Ronaldo e Danny soltos na frente.
Do lado dos sérvios, orientados por Radovan Curcic, Stojkovic foi o guardião, Basta e Kolarov os laterais (direito e esquerdo, respectivamente) e Nastasic e Ivanovic os homens do centro da defesa. No meio-campo, Matic e Petrovic no meio, com Markovic e Tadic nas alas. Ljajic foi o homem de apoio ao ponta-de-lança sérvio, Mitrovic.
A esperada pressão inicial lusa fez-se sentir, com alguma liberdade concedida pela Sérvia, principalmente nos corredores laterais, tendo sido por aí que Portugal fez boa parte do seu jogo. Servidos maioritariamente por Moutinho e Tiago, Nani e Coentrão tentaram criar perigo inúmeras vezes durante o jogo, também ajudados pelas subidas no terreno de Eliseu e Bosingwa (o mesmo se verificou no sentido inverso, durante todo o desafio).
Aos 11 minutos, marcador inaugurado: Fábio Coentrão, após um canto batido à maneira curta, descobriu Ricardo Carvalho na pequena-área e o central do Mónaco, beneficiando de uma falha de marcação da defensiva sérvia, cabeceou para o golo. O azar bateu à porta do veterano internacional português, que cinco minutos após o tento, saiu lesionado, tendo entrado para o seu lugar José Fonte.
A reacção sérvia foi tímida, tendo a equipa revelado algumas dificuldades em partir para o ataque, quer pelo meio, quer pelas alas - as constantes trocas de flanco entre Markovic e Tadic pouco efeito produziram. Nemanja Matic (excelente jogo) carregava o piano, procurando os homens da frente e ocupando muito bem os espaços, quer no processo ofensivo, quer no defensivo. A Sérvia criou, aliás, algumas dificuldades a Portugal em conseguir construir jogo pelo espaço central, com a equipa a baixar bem e a fechar a zona interior. 
Entre os 15 e os 25 minutos, sensivelmente, a equipa de  Radovan Curcic ainda conseguiu assustar Portugal, como por exemplo num remate de Tadic já dentro da área, com a bola a passar perto do poste da baliza de Rui Patrício. Foi um período em que a Sérvia passou mais tempo no meio-campo contrário, obrigando Portugal a recuar as linhas, com Moutinho, Danny e Tiago (ele que subiu menos que Moutinho no terreno durante maior parte do desafio) a baixarem no terreno e a tentar impedir a última fase de construção sérvia.
À passagem da meia hora, voltou a cheirar a golo no Estádio da Luz, mas do outro lado, com Ronaldo a rematar de longe e a obrigar Stojkovic a aplicar-se. Pouco depois, o craque do Real Madrid, após jogada individual pela esquerda, entrou na área e tentou descobrir alguém mas a defensiva sérvia cortou o lance. Esta foi, aliás, uma constante no jogo: sem ponta-de-lança fixo, não havia referência na área, já que Danny e Cristiano jogaram soltos e, ora trocavam com os companheiros e caíam para as faixas, ora eram obrigados a vir atrás buscar jogo.
Na segunda parte, os minutos iniciais foram mornos, com o primeiro lance digno de registo a acontecer aos 53 minutos, quando uma chegada com atraso de Bruno Alves, deixou Mitrovic aparecer em zona privilegiada para cabecear por cima. A Sérvia pressionava, o seu jogo fluía melhor e mais rápido, com Matic a ser o cérebro da equipa: solicitado por todos os colegas para transportar jogo, todo este passava pelo médio do Chelsea, do lado dos sérvios. 
Aos 61 minutos, o ex-Benfica coroou a sua exibição com um golo monumental. Após um canto, Petrovic desviou de cabeça para a entrada sobre o lado direito da pequena-área, e Matic, com um remate acrobático, colocou o marcador em 1-1.
Porém, dois minutos depois, Portugal repôs a vantagem recém-desfeita. Sobre o lado direito do ataque, Ronaldo descobre Moutinho a entrar pelo meio e o médio do Mónaco, à entrada da área (também sobre o lado direito) fez um passe fabuloso para a entrada da pequena-área, que Fábio Coentrão aproveitou para recolocar a turma das quinas em vantagem.
O jogo ficou, assim, mais partido, com Portugal a comandar as operações até ao final do encontro e a conseguir estar mais perto do golo. João Moutinho foi, como o habitual, o homem que pautou os ritmos de jogo de Portugal, com Fábio Coentrão (jogo muito esforçado numa posição em que tem poucas rotinas) a sair esgotado aos 78 minutos para dar o lugar a Ricardo Quaresma.
Do lado dos sérvios, Markovic (jogo muito apagado do ex-Benfica) já tinha dado lugar minutos antes a Djuricic. Tosic ainda entrou para o lugar de Tadic, numa troca directa, mas a selecção dos Balcãs não conseguiu causar lances de perigo, com excepção feita a um potente remate de Petrovic, de fora da área, que Patrício segurou. William Carvalho ainda entrou para o lugar de Danny aos 86 minutos.
Portugal parecia estar melhor fisicamente e, pelos flancos, criou perigo para a defesa sérvia, com algumas solicitações para a área, porém sem consequência, devido à falta de referência.
O jogo terminou com a vitória de Portugal, que dá assim um passo de gigante rumo ao Europeu de França. A Sérvia vê assim praticamente afastadas as poucas esperanças que ainda tinha de marcar presença em terras gaulesas em 2016, estando neste momento com 2 pontos negativos, devido à sanção aplicada pela UEFA pelos desacatos no jogo com a Albânia.



Destaques

Positivo

João Moutinho: define ritmos de jogo, ataca, defende, assiste, joga, faz jogar: o médio do Mónaco tem-se vindo a revelar, desde há alguns anos, uma peça fulcral no meio-campo da Selecção Nacional. O seu passe para o golo da vitória foi um dos momentos mais brilhantes da partida.

Fábio Coentrão: Um golo, uma assistência e grande espírito combativo. Irregular no Real Madrid, devido à forte concorrência de Marcelo, demonstrou que está pronto para ajudar Portugal. Nesta posição, teve um papel redobrado, tanto por ter tido de ocupar zonas centrais, como por ter tido a missão de ajudar no processo defensivo e ofensivo pelas faixas. Saiu esgotado e sob forte aplauso.

Nemanja Matic: Com muita cultura táctica, capacidade física e de passe, nota artística, foi ele que levou a equipa às costas. Entre tanta timidez e lentidão de processos da equipa sérvia, que nunca chegou a colocar em causa a justiça da vitória lusa, foi o único a sobressair no colectivo dos Balcãs. O momento alto do jogo foi seu: um golaço de fazer levantar qualquer estádio! Matic é isto mesmo: um jogador de classe mundial.


Negativo:

Lesão de Ricardo Carvalho: Após o recente regresso à Selecção pela mão de Fernando Santos, o melhor defesa-central português da última década teve uma participação curta e agridoce no jogo de ontem. Marcou e pouco depois saiu lesionado. Portugal precisa dele, já que, aos 36 anos, ainda demonstra uma regularidade exibicional notável.

Sérvia: Na actualidade, a equipa de Radovan Curcic é, provavelmente, o maior exemplo de que nem sempre os melhores jogadores fazem as melhores equipas. No caso dos sérvios, não se pode falar dos 'melhores' (excepção feita a Matic e Ivanovic - dos melhores do Mundo nas respectivas posições) mas de bons jogadores, já que grande parte dos seleccionados (e seleccionáveis) jogam em equipas europeias de renome. 

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