Seis anos depois, José Mourinho
voltou a cair nos oitavos da Liga dos
Campeões. O Chelsea foi eliminado pelo PSG em Stamford Bridge, mercê dos golos
fora de casa obtidos pelos parisienses. O 2-2 de quarta-feira passada em
Londres foi suficiente para superar o empate a uma bola registado três semanas
antes em Paris.
O treinador do Chelsea apresentou
um onze sem surpresas, com Courtois na baliza, Ivanovic no lado direito da
defesa, Azpilicueta na esquerda e com a dupla Terry-Cahill ao centro. No meio
campo, Matic militou na posição mais recuada, tendo Ramires e Fàbregas à sua
frente. No ataque, Diego Costa foi a grande referência, ladeado por Óscar à
direita e Hazard à esquerda.
Já do lado do PSG, Lauren Blanc
colocou, como habitualmente, Sirigu na baliza, David Luiz e Thiago Silva no
centro da defesa, Maxwell à esquerda e, como tem vindo a ser habitual,
Marquinhos à direita. No meio-campo é que o treinador francês fez uma aposta
que se veio a revelar acertada: Pastore ocupou o vértice mais adiantado do
losango apresentado na zona intermediária da equipa parisiense, ele que é um
jogador com muita cultura de posse de bola e técnica apurada, tendo igualmente
grande capacidade de transportar e segurar o esférico. No vértice mais recuado
jogou Thiago Motta e, no meio, Verratti e Matuidi ocuparam as restantes
posições. No ataque, Ibrahimovic e Cavani formaram dupla.
O jogo começou intenso, com o PSG
a criar a primeira oportunidade de golo logo aos dois minutos, com Cavani a surgir
perto da baliza de Courtois, tendo valido um corte providencial de John Terry,
que evitou o golo dos parisienses. A toada atacante da equipa de Laurent Blanc
durou até aos 20 minutos, sensivelmente, tendo durante a maior parte deste
período o PSG estado no meio-campo do Chelsea.
O empate a zero seria suficiente
para os blues passarem a eliminatória e, na primeira parte, a equipa de Mourinho pouco arriscou, sendo o PSG quem
teve a iniciativa da partida na maioria do tempo.
A grande batalha a meio-campo que
caracterizou a maior parte do jogo teve o seu auge aos 31 minutos, numa disputa
de bola entre Ibrahimovic e Óscar, na qual os dois jogadores entraram de
‘carrinho’, tendo o internacional sueco evitado acertar com a sola do pé no
brasileiro (e não acertou), encolhendo a perna. O árbitro expulsou Ibrahimovic,
numa decisão errada que fez prever uma alteração do rumo da partida.
Pelo contrário, o Paris
Saint-Germain entrou mais pressionante no segundo tempo e esteve perto de marcar
aos 56 minutos quando Cavani apareceu novamente frente a Courtois, fintou o
guarda-redes belga e rematou ao poste, já com pouco ângulo.
Assistia-se a um grande duelo
táctico em Stamford Bridge, com destaque para os incansáveis Matuidi, do lado
dos parisienses, e Ramires, do lado dos blues,
sempre fortes nas transições e em outros momentos de jogo. Fàbregas teve
imensas dificuldades para pegar na ‘batuta’ do jogo do Chelsea, ora
pressionado, ora pouco assertivo no capítulo do passe e, igualmente, pouco
apoiado por Matic (jogo esforçado do sérvio, porém aquém do costume, já que
veio de uma lesão).
Já Marco Verratti esteve bem
melhor em vários aspectos, tal como Javier Pastore, que ofereceu qualidade de
posse de bola ao PSG, combinando também muito bem com Cavani, que
obrigatoriamente baixou no terreno inúmeras vezes.
O Chelsea teve (como
habitualmente) em Hazard a sua unidade mais desequilibradora, ele que deu
intensidade ao ataque blue, travando
alguns duelos individuais, principalmente com Marquinhos. Óscar esteve apagado
e saiu no início da segunda parte, dando lugar a Willian.
O Paris Saint-Germain continuava
a mandar no jogo e só aos 80 minutos é que houve registo do primeiro lance de
real perigo do lado do Chelsea, quando Ramires apareceu do lado direito do
ataque, rematando para defesa de Sirigu, que deu canto. Na sequência do pontapé
de canto, o Chelsea chegou à vantagem, por intermédio de Cahill. O
internacional inglês aproveitou a sobra de um remate falhado por Diego Costa e
colocou os blues ainda mais perto dos
quartos.
Laurent Blanc viu-se obrigado a
arriscar e tirou o pêndulo do meio-campo parisiense (Verratti) para lançar Lavezzi.
O argentino, mais rápido e vertical, foi aposta para oferecer velocidade ao
ataque e para tentar desequilibrar a organizada defesa do Chelsea. Rabiot
entrou para o lugar de Matuidi, simultaneamente.
Cinco minutos após o golo do
Chelsea, David Luiz, com uma cabeçada portentosa, empatou o jogo e a
eliminatória, após um canto apontado por…Lavezzi!
José Mourinho terá,
eventualmente, pensado que a sua equipa poderia ter arriscado mais durante a
partida e, até final do tempo regulamentar, o Chelsea pressionou mais um pouco
e Ramires e Willian tentaram o golo, com remates perigosos.
O jogo foi para prolongamento,
que começou praticamente com um penalty
a favor do Chelsea, resultante de uma ‘infantilidade’ de Thiago Silva. O
internacional brasileiro saltou de braço no ar para disputar uma bola de cabeça
com Diego Costa dentro da área parisiense e não evitou o contacto com a bola.
Na transformação do castigo
máximo, Eden Hazard não falhou e recolocou os blues em vantagem na eliminatória.
Com 15 minutos para jogar, o PSG
continuou, como era espectável, a pressionar, tentando ‘furar’ a muralha
defensiva londrina. Destaque para um livre de David Luiz a cerca de 30 metros
da baliza de Courtois, ao qual o belga correspondeu com uma enorme defesa.
Outra enorme defesa aconteceu
aquando um cabeceamento de Thiago Silva, após um pontapé de canto. No
consequente canto, a seis minutos do fim, o central brasileiro empatou o jogo
com um potente golpe de cabeça e recolocou o PSG na frente da eliminatória, num
lance em que John Terry e Cahill falharam na marcação e deixaram o capitão
parisiense sozinho para marcar.
Até final, Laurent Blanc ainda
‘queimou’ tempo ao fazer entrar Van der Wiel para o lugar de Pastore, tendo o
Chelsea sido incapaz de criar perigo.
O PSG apurou-se assim, pelo
terceiro ano consecutivo, para os quartos
da Champions, enquanto o Chelsea de
José Mourinho fica pelo caminho, tendo ainda “uma Premier League para ganhar”.
Destaques
Positivo
Atitude do PSG. Jogando cerca de hora e meia em inferioridade numérica,
a equipa de Laurent Blanc foi sempre a mais assertiva em campo, correndo atrás
do prejuízo, e mesmo com o azar do jogo, nunca desistiu. O treinador parisiense
acertou em cheio nas substituições.
David Luiz. Em semana de ‘bate-boca’ com Mourinho, o internacional
brasileiro foi decisivo no desfecho da eliminatória, não só pelo golo como
também pelo sangue-frio que foi mantendo nos constantes duelos quentes com
Diego Costa.
Thiago Silva. De vilão a herói. Cometeu o penalty que podia ter comprometido a eliminatória e, minutos
depois, não perdoou num cabeceamento indefensável para Courtois. Atitude
irrepreensível e liderança firme.
Hazard. Não foi tão exuberante como noutras ocasiões mas foi dos
únicos (se não mesmo o único) a dar alguma dinâmica ao ataque dos blues, apesar de menos oportunidades que
o esperado.
Negativo
Conservadorismo blue. Em
Paris, só mesmo um Courtois inspirado impediu o Chelsea de sair goleado do Parque dos Príncipes. Esperava-se outra
reacção à expulsão de Ibrahimovic mas a equipa de José Mourinho passou grande
parte do jogo no seu meio-campo, apesar de ter tido a sorte do jogo (golos
contra a corrente).
Árbitro. Vários erros marcaram a actuação de Bjorn Kuipers. A
expulsão de Ibrahimovic é exagerada, uma vez que o avançado sueco evitou o mais
que pôde o contacto com o adversário. Erro grave também ao não assinalar grande
penalidade após uma falta sobre Diego Costa, na primeira parte da etapa
complementar. Alguns lances de potencial perigo (porém inconsequentes) surgiram
com jogadores a partir de fora-de-jogo. Incompreensível como Diego Costa
terminou o jogo em campo.
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