quinta-feira, 12 de março de 2015

Fogo de dragão

Fruto de uma exibição portentosa, o F.C. Porto garantiu na passada terça-feira, um lugar na elite das oito melhores equipas da Champions. Os dragões cilindraram o Basileia de Paulo Sousa por uns expressivos 4-0, depois do empate a uma bola da primeira mão no jogo em terras helvéticas.
Com Jackson Martínez lesionado, o avançado internacional camaronês Aboubakar foi a (esperada) novidade no onze portista, treinado por Julen Lopetegui. O jogo começou com o F.C. Porto a ter mais bola, mantendo-se durante os primeiros minutos no meio-campo suíço, porém sem criar oportunidades de golo.
Até que aos 14 minutos, uma execução primorosa de Brahimi num livre directo à entrada da área, colocou os dragões na frente do marcador. Poucos minutos depois, Casemiro tentou de longe surpreender o guarda-redes do Basileia mas a bola saiu por cima. Aos 18 minutos, um dos momentos marcantes da partida: após choque entre o guarda-redes portista Fabiano e o seu colega Danilo, o lateral brasileiro ficou inconsciente e teve de ser substituído por Martins Indi.
Até final do primeiro tempo, domínio absoluto portista, destacando-se ainda dois remates perigosos: um de Aboubakar, em que a bola saiu a centímetros do poste esquerdo da baliza de Tomas Vaclik e, do outro lado, foi Gashi a tentar a sua sorte num remate ‘enrolado’, em que o ex-benfiquista Derlis González chegou atrasado para a emenda, falhando assim o golo do empate para os suíços.
O F.C. Porto mandou no desafio do primeiro ao último minuto da primeira parte, exercendo um pressing muito alto em todas as zonas do terreno, tendo sido competente em todos os momentos de jogo. Destaque para o argelino Brahimi, sempre muito activo no corredor esquerdo, procurando igualmente espaços interiores para combinar com Aboubakar e com Herrera, que esteve irrepreensível na ocupação de espaços, aparecendo muitas vezes na zona mais adiantada do terreno. Casemiro também merece realce, ele que efectuou o melhor jogo desde que chegou ao Dragão, cortando linhas de passe, recuperando inúmeras vezes a bola e tentando a sorte em direcção à baliza.
Aos 56 minutos, o médio brasileiro teve outra oportunidade para visar a baliza do Basileia através de um livre a cerca de 25 metros de distância e não falhou. Execução exímia de Casemiro, deixando o guarda-redes dos helvéticos sem qualquer chance de impedir o golo do F.C. Porto. Nove minutos antes foi Herrera, também de fora da área, a fazer balançar as redes adversárias num remate colocado, após jogada de Brahimi, que partiu da esquerda para o meio, entregando a bola ao internacional mexicano.
O Basileia ainda tentou reduzir pouco depois do terceiro golo portista, por intermédio de Zuffi, que rematou à entrada da área após lance pela esquerda do ataque suíço, que Fabiano defendeu.
E, como se costuma dizer, quem não marca sofre, Aboubakar assinou o quarto tento dos dragões através de um remate colocado de fora da área. Até final os portistas geriram o jogo a seu belo prazer, através da sua imagem de marca, que teve neste jogo a sua maior expressão esta temporada: muita posse de bola, pressão alta e ataques rápidos.
Alex Sandro sempre muito activo nas subidas no terreno (como é seu apanágio), Herrera e Evandro foram incansáveis nas transições defesa-ataque e ataque-defesa, Casemiro imperial (melhor jogo do brasileiro de dragão ao peito) e Aboubakar com nota muito positiva nesta sua difícil missão - substituir Jackson Martínez.
A equipa de Paulo Sousa não demonstrou argumentos perante o F.C. do Porto, que rubricou a melhor exibição europeia pós-Villas-Boas, assegurando assim um lugar nos quartos-de-final da Liga dos Campeões.

Destaques

Positivo

Brahimi. Apesar da grande dinâmica demonstrada pela equipa azul-e-branca, o argelino merece uma nota especial. Inaugurou o marcador com uma execução sublime num livre directo, foi o maior desequilibrador no ataque portista e, igualmente importante, deu a sensação de estar a regressar à boa forma.

Negativo

Agressividade do Basileia. Durante a maior parte do desafio, os jogadores do Basileia usaram e abusaram de uma agressividade inadmissível nesta fase da competição, quebrando o ritmo do jogo e demonstrando uma enorme incapacidade para travar o jogo dos dragões. Samuel foi expulso perto do final da partida, por acomulação de amarelos.

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